José de Alencar (1829-1877) foi um romancista, dramaturgo, jornalista, advogado e político brasileiro. Foi um dos maiores representantes da corrente literária indianista. Destacou-se na carreira literária com a publicação do romance "O Guarani", em forma de folhetim, no Diário do Rio de Janeiro, onde alcançou enorme sucesso. Seu romance "O Guarani" serviu de inspiração ao músico Carlos Gomes que compôs a ópera O Guarani. Foi escolhido por Machado de Assis para patrono da Cadeira nº23 da Academia Brasileira de Letras.
José de Alencar consolidou o romance brasileiro ao escrever movido por sentimento de missão patriótica. O regionalismo presente em suas obras abriu caminho para outros sertanistas preocupados em mostrar o Brasil rural.
José de Alencar criou uma literatura nacionalista onde se evidencia uma maneira de sentir e pensar tipicamente brasileiras. Suas obras são especialmente bem sucedidas quando o autor transporta a tradição indígena para a ficção. Tão grande foi a preocupação de José de Alencar em retratar sua terra e seu povo que muitas das páginas de seus romances relatam mitos, lendas, tradições, festas religiosas, usos e costumes observados pessoalmente por ele com o intuito de cada vez mais abrasileirar seus textos.
O Guarani
A obra se articula a partir de alguns fatos: a devoção e
fidelidade de Peri, índio goitacá, a Cecília de Mariz; o amor de Isabel por
Álvaro, e o amor deste por Cecília; a morte acidental de uma índia aimoré por
D. Diogo e a consequente revolta e ataque dos aimorés, tudo isso ocorrendo com
uma rebelião dos homens de D. Antônio de Mariz, liderados pelo ex-frei
Loredano, homem ambicioso e mau-caráter, que deseja saquear a casa e raptar
Cecília.
Álvaro, que já conhecia o amor de Isabel por ele e também já
a amava, se machuca na batalha contra os aimorés. Isabel, vendo o corpo do
amado tenta se matar asfixiada junto com o corpo de Álvaro, quando o vê vivo
tenta salvá-lo, porém ele não permite e morrem juntos.
Durante o ataque, D. Antônio, ao perceber que não havia mais
condições de resistir, incumbe Peri à salvar Cecília, após tê-lo batizado como
cristão. Os dois partem, com Ceci adormecida e Peri vê, ao longe, a casa
explodir. A Cecília só resta Peri.
Durante dias Peri e Cecília rumam para destino desconhecido
e são surpreendidos por uma forte tempestade, que se transforma em dilúvio.
Abrigados no topo de uma palmeira, Cecília espera a morte chegar, mas Peri
conta uma lenda indígena segundo a qual Tamandaré e sua esposa se salvaram de
um dilúvio abrigando-se na copa de uma palmeira desprendida da terra e
alimentando-se de seus frutos. Ao término da enchente, Tamandaré e esposa
descem e povoam a Terra.
As águas sobem, Cecília se desespera. Peri com uma grande
força arranca a palmeira e faz dela uma canoa para poderem continuar pelo rio,
deixando subentendido que a lenda de Tamandaré se repetiu com Peri e Cecília.


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